💼 Prevenção de Perdas no Varejo: Um Pilar Estratégico para 2025
Por Ivanete Vieira Serpa – Contadora Consultiva
Recebi recentemente um material da KPMG, enviado pelo Fernando Lage, sócio-líder da prática de Advisory da firma, que considero essencial compartilhar com você, leitor do meu blog. Trata-se da Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2025, realizada em parceria com a Abrappe (Associação Brasileira de Prevenção de Perdas).
O estudo analisou 179 empresas de 24 estados brasileiros, incluindo os maiores varejistas do país. Um dos principais achados foi que, mesmo com a queda no índice percentual de perdas (de 1,57% para 1,51%), o prejuízo financeiro total aumentou para R$ 36,5 bilhões.
📈 Por que o valor das perdas aumentou?
A entrada de novos segmentos no estudo — como pet shops, informática e utilidades domésticas — trouxe um perfil de perdas proporcionalmente menor, mas com alto volume financeiro. Isso tornou o cenário mais representativo e evidenciou a necessidade de estratégias de prevenção integradas e adaptadas à digitalização do consumo.
Além disso, houve um aumento de 17% no número de empresas participantes em relação ao ano anterior, com 43% delas apresentando faturamento anual superior a R$ 1 bilhão, o que reforça a robustez e abrangência do levantamento.
🔍 Principais causas das perdas
Segundo a pesquisa, 70% das perdas estão relacionadas a:
- Quebras operacionais
- Furtos internos e externos
- Erros de inventário
Destaques por segmento:
- Farmácias: aumento de 38,9% nas perdas, com foco em produtos de alto risco como canetas de emagrecimento e dermocosméticos.
- Perfumarias: redução de 56,6% nas perdas, graças a formatos de exposição mais controlados.
- Atacarejos: aumento de perdas com a introdução de serviços como delivery e autoatendimento.
Os furtos seguem como o principal desafio transversal a todos os setores, agravados pela exposição inadequada de produtos de alto valor e pela falta de investimento em tecnologias antifurto.
📦 Estoque e ruptura: os gargalos invisíveis
A acurácia de estoque é um dos pilares da prevenção. Enquanto o setor de informática e telefonia atingiu 99% de precisão, o de materiais de construção teve queda de 15,99%.
Além disso, as rupturas comerciais (7,81%) e operacionais (5,10%) cresceram em 2024, prejudicando a experiência do cliente e impactando diretamente as vendas.
- Ruptura comercial: quando o produto não chega à loja.
- Ruptura operacional: quando o produto está no estoque, mas não disponível na gôndola.
Essas falhas revelam lacunas de gestão e afetam diretamente a fidelização do cliente e a percepção da marca.
🔄 Perda ampliada e maturidade na gestão
O conceito de perda ampliada marca um novo estágio na prevenção. Empresas mais maduras vão além do controle de furtos e quebras, atuando de forma transversal com áreas como supply chain, jurídico, compliance e produtividade.
- 61% das empresas monitoram o Net Promoter Score (NPS).
- 30% ainda não revisam o cadastro de produtos, o que compromete a confiabilidade dos dados.
Essa visão sistêmica permite proteger o caixa e maximizar a rentabilidade em um cenário de forte concorrência e digitalização.
🤖 Tecnologia como aliada
A transformação digital está em curso:
- CFTV e RFID já são padrão.
- Cresce o uso de analytics, dashboards inteligentes e inteligência artificial (13,18%) para monitoramento em tempo real.
Essas ferramentas ajudam a prever perdas, automatizar alertas e entender o comportamento do consumidor, otimizando toda a operação.
🔮 Tendências para 2025
A pesquisa aponta cinco grandes movimentos:
1. Integração da prevenção de perdas à governança de riscos (62% das empresas).
2. Expansão do uso de IA e análise de dados.
3. Cultura de dados no supply chain.
4. KPIs específicos para perdas.
5. Fortalecimento da área com reporte direto ao CFO ou CEO.
💡 Minha visão como contadora consultiva
Como profissional da contabilidade, vejo com clareza que a prevenção de perdas não é apenas uma medida operacional — é uma estratégia de gestão financeira. Ela impacta diretamente a margem de lucro, a eficiência dos processos e a sustentabilidade do negócio.
Cada ponto percentual reduzido em perdas representa milhões de reais economizados, que podem ser reinvestidos em inovação, expansão e qualificação de equipes. Em um cenário de margens apertadas e alta competitividade, controlar perdas é tão importante quanto vender bem.
📎 Para acessar a pesquisa completa, visite: Pesquisa Abrappe 2025 – KPMG
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