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sábado, 14 de fevereiro de 2026

A fraude mais difícil de detectar não é aquela escondida por algoritmos complexos ou engenharia financeira sofisticada

A Perversidadedo "É Assim Mesmo": Quando a Omissão se Torna Crime
A fraude mais difícil de detectar não é aquela escondida por algoritmos complexos ou engenharia financeira sofisticada. É aquela que está à vista de todos, mas que o sistema decidiu normalizar. Ela não vem com alarme; ela se apresenta com uma frase que corrói qualquer estrutura de integridade: "É assim mesmo".
Este é o sinal mais perigoso de todos.
A Normalização como Ferramenta de Camuflagem
A fraude mais perversa é aquela que se esconde atrás da aceitação passiva. Quando comportamentos fora do padrão passam a ser aceitos sem questionamento, o problema deixa de ser operacional e passa a ser cultural.
O "é assim mesmo" silencia alertas, enfraquece controles e cria o ambiente perfeito para que desvios cresçam sem resistência. É aqui que reside a perversidade: quem diz isso geralmente não teme as consequências, porque acredita que o sistema está viciado o suficiente para camuflar o erro em vez de escancará-lo para correção.
A Omissão Consciente e o Caráter
O que vivemos no dia a dia, muitas vezes, ultrapassa o limite do erro técnico. Estamos falando de omissão consciente. É a escolha deliberada de manter a aparência de normalidade enquanto a integridade é destruída.
É muito mais difícil combater o silêncio de quem deveria ser a barreira de controle do que corrigir uma falha de processo. Quando o sistema camufla, ele falha em sua missão mais básica de governança.
"A omissão de hoje é a prova de amanhã."
 
O Rastro Jurídico: A Camuflagem não Apaga o Crime
A crença na impunidade por trás do "sempre foi assim" esbarra na legislação vigente. Em 2026, a responsabilidade de quem se omite é clara e severa:
 * No Setor Público (Prevaricação): Retardar ou deixar de praticar ato de ofício para satisfazer interesse ou sentimento pessoal é crime previsto no Artigo 319 do Código Penal. A pena de detenção e multa é apenas o começo; para cargos de confiança e direção, a punição é ainda mais rigorosa.
 * No Setor Corporativo (Gestão Fraudulenta): No ambiente privado, camuflar desvios e fraudar balanços ou controles não é "estratégia", é crime contra o sistema financeiro (Lei 7.492/86). A pena pode chegar a 12 anos de reclusão.
 * Gestão Temerária: Mesmo quem alega que "apenas deixou passar" pode responder por gestão temerária, com penas de até 8 anos.
Fraudes raramente começam gigantescas. Elas nascem pequenas, são toleradas e repetidas até se tornarem invisíveis na rotina.
Identificar riscos exige método e preparo técnico, mas escancarrar a fraude e corrigi-la exige CARÁTER. Não se engane: a camuflagem de hoje é a prova irrefutável de amanhã. No momento em que a conta não fechar, o sistema que hoje protege será o mesmo que entregará o rastro da sua omissão.

Por Ivanete Vieira Serpa Contadora Consultiva Ivanetevieiraserpa.blogspot.com 

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